domingo, 4 de março de 2007

Recém-criada conta no Hi5!

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Como a distância entre o G@@F e a Escola tem sido maior, meios de comunicação através da internet têm sido uma ferramenta muito útil!
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Aguardamos por novidades!
Abraço!

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Saudade

in www.lacoctelera.com

Saudades do G@@F...
Abraço a todos na Escola!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Lisboa à Letra


"Lisboa à Letra é um concurso de escrita literária organizado pelo Pelouro da Juventude da Câmara Municipal de Lisboa, destinado a jovens dos 15 aos 30 anos que residam, estudem ou trabalhem no concelho de Lisboa.


Os textos, nas categorias de prosa (ficção) e poesia, são obrigatoriamente inéditos e têm como temática de fundo a cidade de Lisboa, interpretada livremente pelos concorrentes.Cada participante pode apresentar o máximo de um trabalho em cada uma das categorias a concurso.


O valor dos prémios é de 750 €, 500 € e 250 € para os três primeiros classificados em cada categoria.Todos os trabalhos premiados encontram-se publicados na brochura da respectiva edição de Lisboa à Letra.


A brochura de Lisboa à Letra tem ainda a particularidade de ser ilustrada por alunos de estabelecimentos escolares de belas artes."


Podes encontrar mais informações em: http://www.lxjovem.pt/?id_tema=164

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Ideias de base...


A humanidade não é mais do que uma palavra abstracta; podemos apesar dos seus defeitos – que sem dúvida contrabalançam os nossos – simpatizar com os seres com quem nos encontramos ou pensar pelo menos nas possibilidades infinitas que existem em cada um deles.
Marguerite Yourcenar

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Ou isto...ou aquilo...



Ou isto ou aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão ,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa estar
ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles

Um pé dentro...um pé de fora...



É difícil estar com um pé dentro e com um pé de fora das coisas...
É difícil não poder estar em pleno nas coisas...
É difícil estar num impasse!
É difícil responder a: "Mas quando é que o
G@@F reabre de vez?"
Ou a: "Ele vai voltar a abrir ou não?"

Saber estar com um pé dentro e com um pé de fora das coisas requer equilíbrio de trapezista!
Requer também uma dose de poesia e umas pitadas de fadista!

Saber estar com um pé dentro e com um pé de fora das coisas requer cuidados, subtilezas e olhares muito atentos e atenciosos.

E estes últimos muito bem dirigidos...

A quem nos pergunta pela Escola: "Quando é que o
G@@F reabre de vez?"
Ou mesmo a quem nada nos pergunta com palavras...usando outros tons para o fazer...com um não dito a preto e branco...

Aguardando uma paleta inteira de cores, com cores muito bem inteiras e definidas...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

"O coração é como a árvore - onde quiser volta a nascer."

"O Rio das Quatro Luzes" - Mia Couto



Mia Couto (2004). O Fio das Missangas - Contos. Caminho: Lisboa.

"Vendo passar o cortejo fúnebre, o menino falou:
- Mãe: eu também quero ir em caixa daquelas.

A alma da mãe, na mão do miúdo, estremeceu. O menino sentiu esse arrepio, como descarga da alma na corrente do corpo. A mãe puxou-o pelo braço em repreensão.
- Não fale nunca mais isso.
Um esticão enfantizava cada palavra.
- Porquê, mãe? Eu só queria ir a enterrar como aquele falecido.
- Viu? Já está a falar outra vez?
Ele sentiu a angústia em sua mãe já vertida em lágrima. Calou-se, guardado em si. Ainda olhou o desfile com inveja. Ter alguém assim que chore por nós, quanto vale uma tristeza dessas?
À noite, o pai foi visitá-lo na penumbra do quarto. O menino suspeitou: nunca o pai lhe diria um pensamento. O homem avançou uma tosse solene, anunciando a seriedade do assunto. Que a mãe lhe informara sobre seus sortunos comentários no funeral. Que se passava, afinal?
- Eu não quero mais ser criança.
- Como assim?
- Quero envelhecer rápido, pai. Ficar mais velho que o senhor.
Que valia ser criança se lhe faltava a infância? Este mundo não estava para meninices. Porque nos fazem com esta idade, tão pequenos, se a vida aparece sempre adiada para outras idades, outras vidas? Deviam-nos fazer já graúdos, ensinados a sonhar com conta medida. Mesmo o pai passava a vida louvando a sua infância, seu tempo de maravilhas. Se foi para lhe roubar a fonte desse tempo, porque razão o deixaram beber dessa água?
- Meu filho, você tem que gostar de viver, Deus nos deu esse milagre. Faça de conta que é uma prenda, a vida.
Mas ele não gostou nada dessa prenda. Não seria que Deus lhe poderia dar outra, diferente?
- Não diga isso, Deus lhe castiga.
E a conversa não teve mais diálogo. Fechou-se sob ameaça de punição divina.
O menino permanecia em desistência de tudo. Sem nenhum portanto nem consequência. Até que, certa vez, ele decidiu visitar seu avô. Certamente ele o escutaria com maiores paciências.
- Avô, o que é preciso para se ser morto?
- Necessita ficar nu como um búzio.
- Mas eu tanta vez estou nuzinho.
- Tem que ser leve como a lua.
- Mas eu já sou levinho como a ave penugenta.
- Precisa mais: precisa ficar escuro na escuridão.
- Mas eu sou tinto e retinto. Pretinho como sou, até de noite me indistinto do pirilampo avariado.
Então o avô lhe propôs o negócio. As leis do tempo fariam prever que ele fosse retirado primeiro da vida. Pois ele falaria com Deus e requereria mui respeitosamente que se procedesse a uma troca: o miúdo falecesse no lugar do avô.
- A sério, avô? O senhor vai pedir isso por mim?
- Juro, meu filho. Eu amo de mais viver. Vou pedir a Deus.
E ficou combinado e jurado. A partir daí, o menino visitava o avô com ansiedade de capuchinho vermelho. Desejava saber se o velho não estaria atacado de doença, falho no respirar, coração gaguejado. Mas o avô continuava direito e são.
- Tem rezado a Deus, avô? Tem-lhe pedido consoante o combinado?
Que sim, tinha endereçado os ajustados requerimentos. A troca das mortes, o negócio dos finais. Esperava deferimento, ensinado pela paciência. Conselho do avô: ele que, entretanto, fosse menino, distraído nos brincandos. Que, ainda agora, o que ele se lembrava era o mais antigo da sua existência. E lhe contou os lugares secretos de sua infância., mostrou-lhe as grutas junto ao rio, perseguiram borboletas, adivinharam pegadas de bichos. O menino, sem saber, se iniciava nos amplos territórios da infância. Na companhia do avô, o moço se criançava, convertido em menino. A voz antiga era o pátio onde ele se adornava de folguedos. E assim sendo.
Uma certa tarde, o avô visitou a casa dos seus filhos, sentou-se na sala e ordenou que o seu neto saísse. Queria falar, a sós, com os pais da criança. E o velho deu entendimento: criancice é como amor, não se desempenha sozinha. Faltava aos pais serem filhos, juntarem-se miúdos com o miúdo. Faltava aceitarem despir a idade, desobedecerem ao tempo, esquivar-se do corpo e do juízo. Esse é o milagre que um filho oferece - nascemos em outras vidas. E mais nada falou.
- Agora já me vou - disse ele - porque senão ainda adormeço com minhas próprias falas.
- Fique, pai.
- Já assim velho, sou como o cigarro: adormeço na orelha.
Se ergueu e, na soleira, rodou como se tivesse sido assaltado por pedaço de lembrança. Acorreram em aflição. O que se passava? O avô serenou: era apenas cansaço. Os outros insistiram, sugerindo exames.
- O pai vá e descanse com muito cuidado.
- Não é desses cansaços que nos pesam. Ao contrário, agora ando mais celestial que nuvem.
Que aquela fadiga era fala de Deus, mensagem que estava recebendo na silênciosa língua dos céus.
- Estou a ser chamado. Quem sabe, meus filhos, se esta é nossa última vez?
O casal recusou despedir-se. Acompanharam o avô a casa e sentaram-no na cadeira da varanda. Era ali que ele queria repousar. Olhando o rio, lá em baixo. E ali ficou, em silêncio. De repente, ele viu a corrente do rio inverter de direcção.
- Viram? O rio já se virou.
E sorriu. Estivesse confirmado o improvável vaticínio. O velho cedeu as pálpebras. Seu sono ficou sem peso. Antes, ainda murmurou no ouvido do seu filho:
- Diga a meu neto que eu menti. Nunca fiz pedido nenhum a nenhum Deus.
Não houve precisão de mensagem. Longe, na residência do casal, o menino sentiu reverter-se o caudal do tempo. E os seus olhos se intemporaram em duas pedrinhas. No leito do rio se afundaram quatro luzências.
Da feição que fui fazendo, vos contei o motivo do nome deste rio que se abre na minha paisagem, frente à minha varanda. O rio das Quatro Luzes." (pp. 113-117)